
Por César Choairy*
Vale a saudade do dizer, na escrita nobre do pensar a saudade grande do pesar. Nem abacaxi, nem melancia, mas amizades e colegages sinceras. Haja choro de saudades de se ver de tantos tempos que se foram e não nos víamos.
Lago agitado pelos motores das engenhocas “zuadentas”. Inaldo caprichou no gelo e sobrou copo onde só se tinha vista pra ver e olhar a beleza escultural do passado. Nesse nosso mundo de saudades de tantos amigos que partiram para o outro lado, estão agora morando lá no Mocoroca do céu, no Sacoã do céu, ou não, só de mau!!!
João VB, Afonso, Mané Chupeta, todos presentes e nossos ausentes em vida, também fizeram falta, como Portelinha, Amauri, Tebão, Deroti, e tantos que por motivos diversos não puderam rezar o Pai Nosso dos tempos idos. Mas, não faltaram os nossos Caguinha, Geraldo e tantos, nossos novos passeadores de lanchas e barcos de fibra. Fibra que não faltava aos grandes e imortais atletas do primeiro Vera Cruz, que eu e João, o Padre Vitório, não jogávamos, só íamos buscar as bolas lá longe, na Conceição ou no João Luís. Assim éramos Toninho, Seu Côco, Nilton Assumpção, Albert, o Oscar, Lívio Sêco Jonas, PH, só cascaria, Perna Cordeiro. Vou esquecer gente, mas deixa, enquanto houver bambu, tem flecha.
Bom, Bill gostava disso e ninguém era mais enjoado, e ganharia o Oscar de maior abuso, do chiado ao deboche. Salve a latinha já foi jogo, e muito disputado, ir à missa já foi programa de domingo, e tinha o “atrás da Igreja”; depois tinha o Cunaco, ou Kunatis, ou o Kaká, essa fera da noite vianense que, pra se livrar de nós, nos dava a chave do bar Raposas passavam a cuidar do galinheiro. E ele ia embora pra casa praguejando. Ouvir música, tomar umas cabeças de flande e não agarrar ninguém, ao fim e ao cabo.
Muitas paixões se perderam no caminho, amamos amores perdidos, sonhos se desfizeram e até Cacilda deixou de votar em Bill. Foi ela que disse, inclusive pra ele: “Bill, tu não te elege, não voto mais”. Pode perguntar! Cacilda, pelo visto, não jogava pra perder. Mas, Bill era vascaíno e, como tal, já sabia bem as dores de tanto perder, depois de tantas glórias do passado.
Ser Vasco é para poucos muitos apaixonados. Bill era apaixonado, e enjoado quando ganhava, mas não queria jogar de zagueiro no meu time na praia. Ele era fiel a Neto, de Carim, e não se importava de também perder para o nosso time, né Oberdan? Tinha Carlos de Julita, o craque Dario, até Coelhinho jogava de vez em quando.
O melhor era o almoço de Tia Marizete. E Murilo não reclamava, da “vianada” toda lá comendo à vontade do bom e do melhor. Hoje não dá mais pra se fazer esse tipo de coisa, ainda mais com um monte de gente abusada falando mal de si mesma. Resenha braba!!! Essa turma era tão abusada que apelidou o dono da casa de “Pacamão”, sacanagem! Mas ele gostava de ser insultado com esse apelido, notou que era uma marca da amizade autodestrutiva de imagens que cultivávamos. Vai entender! Só sei que era assim, diria Suassuna, ou Manezinho Coroca, nosso líder. Valdionor, nosso goleiro intransponível, Porquinho, ponta dos velhos tempos, só faltou Telê olhar melhor, e Figura, que figura! Quem diria, iríamos tomar tanta cerveja e lembrar de Coquinho, o nosso Manjar, o sábio do futebol que tirou o lateral de campo, não botou ninguém no lugar, fez o time melhorar e ainda virou e ganhou o jogo. O lateral foi embora pra São Paulo, fazer a vida, porque de bola não ia viver. Assim iniciou a biografia profissional do grande Bimbô, “preto enjoado”, como diria Dario, o Dadá, ou Antônio, como bem chama a nossa, de todos, primeira-dama e única mulher da Velha Guarda, Dona Rosana.
E assim, Zé Abóbora, perquirimos de antolhos, a saber, da vida dos outros, pelas frestas das janelas da nossa velha cidade velha, linda, confusa, perdida no seu tempo e espaço, com feridas que sangram saudades intermináveis e alimentam em nós a impressão de que, antes, tudo era grande. E era tão grande quanto cabe em nosso peito, fazendo pulsar esses frágeis corações.
Cada terreno vazio, preenchido milimetricamente por nossas memórias, lembrando-se das janelas, das portas e do campinho de areia da casa de Quincas, dos Campelo, Canhão, Zé Arnodson, Beriano, Passarinho, com uma palmeira no meio do campo de futebol do terraço. Olhando assim, como cabia aquele campo ali?
Meu amigo, tivemos de vir embora, dissemos mais uma vez, Adeus Viana, vou partir, vou te deixar, comigo vai a vontade de voltar de novo, e de novo, até ninguém nos aguentar mais, de tão enjoado, a nossa marca. Ser enjoado foi, é e será a nossa marca. É isso que nos une, se parar pra pensar. Se a gente não se sacanear, não tem graça!!! Chamada: Bill. Presente!!!
César Choairy, Filho de Carim.
Sambentoense, de coração lavado e enxaguado de emoção vianense!

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.





