CADÊ ELAS? Pela primeira vez em 24 anos, eleição presidencial fica sem mulheres nas principais chapas

Pela primeira vez desde o início dos anos 2000, o Brasil caminha para uma eleição presidencial sem mulheres integrando as chapas consideradas competitivas na disputa pelo Palácio do Planalto.

O cenário foi consolidado após a definição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), encerrando as especulações sobre a possibilidade de uma mulher ocupar o posto.

Com isso, as principais candidaturas à Presidência da República em 2026 serão formadas exclusivamente por homens. A única chapa totalmente feminina registrada até o momento é a da Unidade Popular (UP), composta por Samara Martins como candidata à Presidência e Raquel Bricio na vice. No entanto, o partido não possui representação no Congresso Nacional e aparece com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto, ficando fora do grupo das candidaturas consideradas competitivas.

A ausência feminina representa uma ruptura em uma sequência que vinha sendo mantida há mais de duas décadas. Desde as eleições de 2002, ao menos uma mulher participou das principais disputas presidenciais, seja como candidata à Presidência ou à Vice-Presidência.

Nos últimos pleitos, a presença feminina foi constante. Em 2022, Simone Tebet disputou a Presidência pelo MDB ao lado da vice Mara Gabrilli, enquanto Ana Paula Matos integrou a chapa de Ciro Gomes. Já em 2018, quatro mulheres participaram de chapas competitivas: Manuela d’Ávila, vice de Fernando Haddad; Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes; Ana Amélia Lemos, vice de Geraldo Alckmin; e Suelene Balduino, vice de Cabo Daciolo. Marina Silva também concorreu à Presidência naquele ano.

O maior protagonismo feminino ocorreu em 2014, quando três mulheres lideraram candidaturas consideradas relevantes. Dilma Rousseff foi reeleita presidente da República, enquanto Marina Silva e Luciana Genro também disputaram o cargo, ampliando a participação feminina na corrida eleitoral.

Em 2010, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher eleita presidente do Brasil, derrotando José Serra no segundo turno. Na mesma eleição, Marina Silva alcançou quase 20% dos votos no primeiro turno, consolidando-se como uma das principais lideranças nacionais.

Nas eleições de 2006, Heloísa Helena ficou em terceiro lugar na disputa presidencial pelo PSOL. Já em 2002, Rita Camata participou da chapa de José Serra como candidata à Vice-Presidência, marcando o início da sequência de mulheres presentes nas principais chapas presidenciais do século XXI.

A configuração de 2026 também ocorre em meio ao debate sobre a baixa representatividade feminina na política brasileira. Apesar de as mulheres representarem a maioria do eleitorado do país, elas continuam ocupando uma parcela reduzida dos cargos eletivos e enfrentam dificuldades para alcançar posições de destaque nas disputas majoritárias.

Especialistas apontam que fatores como a estrutura partidária, a distribuição desigual de recursos de campanha, a menor presença em espaços de liderança e a violência política de gênero continuam sendo obstáculos para ampliar a participação feminina nas eleições nacionais.

Assim, caso não haja alterações até o encerramento definitivo do processo eleitoral, a disputa presidencial de 2026 entrará para a história como a primeira eleição deste século sem mulheres integrando qualquer uma das chapas consideradas competitivas para a Presidência da República.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

Mande sua sugestão de conteúdo.
E-mail: luizantoniomorais2019@gmail.com

YouTube Sotaque

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade