Um integrante da família real da Noruega entrou na lista de financiadores da eleição para deputado federal no Maranhão.

Haakon Lorentzen, filho da princesa Ragnhild da Noruega e primo do atual rei norueguês, Harald V, doou R$ 100 mil para a campanha do deputado federal Duarte Júnior (Avante), que busca um novo mandato em 2026.
Apesar da ligação com a monarquia europeia, Haakon possui uma longa relação com o Brasil. Filho do empresário Erling Lorentzen, fundador da Aracruz Celulose, ele chegou ao país ainda bebê e construiu sua trajetória profissional no meio empresarial brasileiro.
Haakon preside o conselho da Lorinvest e possui histórico ligado à Companhia de Navegação Norsul, fundada por seu pai. A empresa, por sua vez, mantém operações relacionadas ao Maranhão, incluindo atividades de navegação envolvendo São Luís e operações de abastecimento de navios na Baía de São Marcos.
A ligação empresarial com o estado chama atenção diante da doação para um candidato maranhense, mas, até o momento, não há evidências de que os negócios da Norsul no Maranhão tenham motivado a contribuição para Duarte Júnior.
Por que Duarte foi escolhido?
Outro caminho ajuda a compreender a possível origem da aproximação. Duarte Júnior integra o grupo de lideranças vinculadas ao RenovaBR, organização voltada à formação de políticos.
O perfil se repete entre outros candidatos apoiados financeiramente por Haakon Lorentzen.
Em 2022, o empresário doou R$ 75 mil para Renan Ferreirinha, no Rio de Janeiro, também ligado ao RenovaBR. Na eleição de 2026, outros nomes vinculados à organização, como Pedro Duarte e Daniel Soranz, aparecem entre os beneficiados pelas doações de Haakon.
A coincidência indica uma preferência do empresário por determinados perfis de candidatos e ajuda a explicar como Duarte Júnior pode ter entrado no radar do integrante da família real norueguesa. Entretanto, não há informação pública que permita afirmar que o RenovaBR tenha intermediado a contribuição.
Haakon não concentrou seus recursos no Maranhão. Somente nesta eleição, foram R$ 700 mil distribuídos entre sete candidatos de quatro estados, com contribuições de R$ 100 mil para cada um.

No caso maranhense, porém, a participação do empresário ganha peso quando analisadas as doações de pessoas físicas para Duarte. Dos R$ 110 mil recebidos pelo candidato de doadores individuais até o levantamento, R$ 100 mil vieram de Haakon — aproximadamente 91% desse montante.
Assim, dois elementos ajudam a contextualizar a escolha de Duarte: o deputado pertence a uma rede de lideranças políticas semelhante à de outros candidatos anteriormente apoiados pelo empresário e Haakon possui uma trajetória empresarial ligada a um grupo com operações econômicas no Maranhão.
Não há, entretanto, elementos que permitam estabelecer relação entre a doação e interesses empresariais da Norsul no estado. A contribuição consta na prestação de contas eleitoral e deve ser analisada dentro das regras brasileiras para doações de pessoas físicas.
O episódio revela uma conexão pouco conhecida entre a disputa eleitoral maranhense e uma das famílias empresariais mais tradicionais de origem norueguesa estabelecidas no Brasil — com um integrante da família real europeia figurando entre os principais doadores individuais da campanha de Duarte Júnior. (via Diego Emir)

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.





