Milei, a Direta e Lula

Ao longo do pleito argentino, o PT e partidos de esquerda declararam apoio a Sergio Massa. O bolsonarismo e deputados de direita se posicionaram a favor de Milei

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O avanço da direita na América do Sul nos últimos quatro anos e agora reforçado com a eleição de Javier Milei na Argentina, no entanto, apesar de ser preocupante, não significa uma maioria de governos conservadores no continente. Dos doze países sul-americanos, apenas três deles trocaram governos de esquerda (Argentina, Equador e Uruguai) por líderes direitistas.

Na outra ponta da ideologia, cinco nações (Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia e Peru) passaram a governos esquerdistas. Em termos econômicos, porém, o Brasil sozinho soma mais de 50% do PIB da América do Sul, chegando em 2022 a R$ 9,9 trilhões.

Ao sair dos números e voltar-se à questão ideológica, vale ressaltar que o Direito, falando-se filosoficamente, não tem nada a ver com o feminino de gênero vocabular Direita. Direito é a área da filosofia na qual a sociedade se apegar para garantir uma visão subjetiva, justa e profunda de quaisquer aspectos jurídicos de determinadas ações.

Já as pessoas de Direita prezam pela individualidade. Para elas, suas ações e interesses privados se sobrepõem aos interesses coletivos. O Estado deve ser mínimo. Afinal, em termos proporcionais, as elites direitistas que controlam os poderes do Estado são infinitamente minorias em relação ao conjunto da base da pirâmide social.

O ultradireitista Milei promete “dinamitar” o Branco Central, privatizar a petroleira YPF, a Previdência Social, dolarizar a economia, extinguir dez ministérios: Economia, Justiça, Segurança, Defesa, Relações Exteriores, Infraestrutura, Interior e criar a pasta do Capital Humano, fundir os Ministérios do Desenvolvimento Social, Educação, Saúde e Trabalho.

As polêmicas não param por aí. O tal “Bolsonaro da Argentina”, se declara “anarcocapitalista”; é contra o aborto (legalizado no país), a favor do casamento homoafetivo, considera as mudanças climáticas “uma farsa da esquerda” e se identifica com o partido espanhol Vox, que avança em meio à onda neofacista que se propaga na Europa.

Com Milei na presidência, as relações do Brasil com a Argentina têm todos os ingredientes para reacender a tensão que predominou nos governos de Jair Bolsonaro (direita) e Alberto Fernández (esquerda).  Portanto, promete dar trabalho à diplomacia dos dois países que, historicamente, vivem entre tapas e beijos.

Desde a guerra Cisplatina (1825-1880, os momentos de abraço e afago, como entre Lula e Fernández, ou durante a Operação Condor na década de 1970, entre as ditaduras do Brasil e da Argentina, agora, as relações entre los hermanos podem azedar de vez, como acontece nas torcidas de futebol.

Na campanha, Milei chamou Lula de corrupto, prometeu retirar a Argentina dos Brics, do Mercosul e detonar o acordo com a União Europeia, pautas que projetaram o presidente Lula nas agendas mundiais. Mas ele terá problemas no Congresso. Seu partido (Liberdade Avança) tinha três deputados e nenhum senador.

Agora são 38 deputados e oito senadores eleitos, de um total de 257 deputados e 72  senadores. Já o presidente Lula parabenizou as instituições argentinas pelo respeito à democracia nas eleições e desejou sucesso ao “novo governo”, sem citar o nome de Javier Milei. Pior fez Bolsonaro que nunca reconheceu a vitória de Lula. preferiu dar uma de “pato manco” na reclusão silenciosa, e agora tenta lucrar com Milei.

PÍLULAS POLÍTICAS

Simbolismo inútil (1)

Javier Milei promete dolarizar a economia argentina sem dólar de reserva. Tem dívida impagável e não tem crédito. Ele quer fazer uma limonada sem limão, além de usar a motosserra como símbolo populista de corte de gastos, mas sem dizer como.

Simbolismo inútil (2)

A inflação na Argentina hoje está em 133%/ano. Um Real vale 72 pesos, e um Dólar, 340. No Brasil, quando josé Sarney assumiu a presidência em 1985, a inflação era 235%/ano. Decretou os Planos Cruzado I e II, o Cruzeiro Novo, mas deixou a inflação em 1.800%.

Javier Collor (1)

Quando Fernando Collor venceu a eleição “solteira” de 1989, a inflação era de 472%/ano. A ministra Zélia Cardoso implantou o “Plano Caratê”: congelou 5 trilhões de cruzeiros em circulação, bloqueou a poupança e conta corrente de 60 milhões de brasileiros.

Javier Collor (2)

Em situação parecida na Argentina, Javier Milei foi eleito na onda do antigoverno e antipolítica – um discurso igualzinho de Fernando Collor, o “caçador de marajás”. Assim, ganhar foi fácil, difícil é governar. Milei é o Collor na vizinhança.

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O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

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