Extrema direita de Trump quer acabar com o voto feminino

Nos EUA, cresce um movimento que questiona o voto feminino, impulsionado por influenciadores e líderes religiosos. Ao mesmo tempo, a proposta de reforma eleitoral de Trump cria novos obstáculos ao exercício desse direito.

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“Que direito você tiraria das mulheres?”, pergunta um apresentador de podcast. “Eu eliminaria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres, com certeza”, responde o influenciador de ultradireita Nick Fuentes.

Nem parece sério, mas é real: cresce o número de vozes nos Estados Unidos que defendem o fim do direito ao voto feminino.

“Um voto por família, mas decidido pelo marido.”

Essa é a opinião defendida pela Igreja de Cristo do pastor Doug Wilson, que integra a Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas.

A ideia da “feliz submissão das esposas aos maridos” também é pregada nos púlpitos e nas redes sociais pelo pastor Dale Partridge.

Em fevereiro, ele publicou no Instagram que “as mulheres votam de forma emocional”, que “a política nacional está feminizada”, e defendeu o fim da 19ª Emenda.

Mulheres sufragistas na França, durante as campanhas do movimento que lutou pelo direito ao voto feminino, em 1930 — Foto: Keystone-France/Gamma-Keystone via Getty Images

A 19ª Emenda transformou os EUA em uma democracia plena ao garantir o direito de voto às mulheres há 126 anos.

Agora, o governo Trump propôs uma reforma eleitoral que cria obstáculos burocráticos ao voto de mulheres casadas que adotaram o sobrenome do marido.

Não é o fim da 19ª Emenda, mas representa uma grande dificuldade para o exercício desse direito.

Ativistas como Nick Fuentes, que ganham espaço entre a ultradireita frustrada com promessas não cumpridas de Trump, estão levando esse discurso para a chamada “machosfera”, que domina diversas redes sociais.

E pior: não é um discurso exclusivamente masculino.

A comentarista política conservadora Helen Andrews escreveu um artigo sobre os perigos do que chama de “a grande feminização institucional”, um argumento que abre caminho para a exclusão.

E o jornal “The New York Times” publicou uma reportagem sobre mulheres que acreditam que elas próprias deveriam perder o direito ao voto. Essas mulheres são adeptas do patriarcado bíblico e apoiam apenas um voto por domicílio.

Esse repúdio público ao voto feminino surge num momento em que, nos círculos mais conservadores, as mulheres têm sido responsabilizadas pela instabilidade econômica e no mercado de trabalho, pelas leis que protegem o aborto nos estados e pelo avanço de políticos com agendas progressistas.

Lembrando que, nos EUA, as mulheres tendem a votar mais em candidatos do Partido Democrata. (globo.com)

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O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

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