Analista Felipe Nunes, CEO da Quaest, atribui recuperação do petista a mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na última semana de campanha antes do primeiro turno das eleições de 2026 na liderança da corrida presidencial, registrando 39% das intenções de voto no primeiro turno, segundo a pesquisa Quaest/Globo divulgada nesta segunda-feira (28/9). Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), aparece na sequência, com 34% da preferência do eleitorado. Nas projeções de segundo turno, ambos estão empatados, com 42%.
Segundo a pesquisa, Lula registrou uma melhora consistente em seus índices de aprovação geral. “Semana passada o saldo negativo do governo era de -6 pontos percentuais. Agora, esse saldo negativo caiu para -3 pontos percentuais. Lula volta a ter probabilidade acima de 50% de reeleição”, diz o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest.
De acordo com Nunes, a recuperação de terreno de Lula acontece de forma mais clara entre:
Mulheres: onde havia um empate técnico duas semanas atrás, Lula abriu uma vantagem expressiva de nove pontos percentuais.
Eleitores de baixa renda: segmento em que o petista assegura uma frente de 26 pontos percentuais sobre o opositor.
Beneficiários do programa Bolsa Família: faixa na qual o presidente retomou a marca de 59% das intenções de voto, contra 27% atribuídos a Flávio.
“O aumento da vantagem entre mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família parece estar muito associada ao pacote de medidas anunciado pelo governo na última semana”, avalia o CEO.
“As mulheres são as que mais se animaram com as medidas: 64% delas aprovam proibição às bets e 62% aprovam tanto as canetinhas no SUS quanto o reajuste do Bolsa Família”, completa.
Indicadores individuais
O efeito positivo sobre a avaliação da gestão também impulsionou os indicadores individuais do petista, fazendo o seu potencial de voto oscilar positivamente de 45% para 46%, enquanto a taxa de rejeição recuou de 55% para 54%. Do outro lado, o candidato Flávio Bolsonaro manteve estabilidade nos patamares anteriores, sustentando 43% de potencial de voto e 56% de rejeição.
No que tange aos cenários de eventual segundo turno, Lula e Flávio voltaram a empatar numericamente na simulação de disputa direta, ambos com 42% das intenções. Enquanto o candidato do PL manteve o mesmo percentual registrado nas últimas três rodadas, o atual chefe do Executivo avançou dois pontos percentuais no mesmo intervalo, com 3% de eleitores indecisos e 13% inclinados a votar em branco ou nulo.
Nossa Senhora
Segundo Felipe Nunes, o levantamento aponta uma recuperação do petista na base católica, na qual Lula abriu 13 pontos de vantagem — o melhor desempenho no segmento desde agosto —, ao mesmo tempo em que a margem favorável a Flávio entre os eleitores evangélicos registrou retração.
“O questionário já havia sido registrado no TSE quando a polêmica envolvendo Nossa Senhora de Aparecida foi iniciado nas redes. Mas há forte evidência de que o tema favoreceu Lula ao aumentar o medo da volta da família Bolsonaro entre católicos”, finaliza Nunes.
O CEO da Quaest, no entanto, faz uma ressalva: “A probabilidade de reeleição só não é maior porque Lula continua tendo um saldo negativo de avaliação (-7 pp.). Nenhum presidente foi capaz de vencer eleição no Brasil com saldo negativo a essa altura da corrida presidencial”. (Metrópoles)

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.





