O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e a primeira-dama Eva Curió prestaram depoimento ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA) nesta sexta-feira (9), no âmbito da investigação que apura um suposto esquema de corrupção responsável pelo desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.

Ambos optaram por não responder às perguntas e permaneceram em silêncio. Com os depoimentos do casal, foi encerrada a fase de oitivas dos investigados. A partir de agora, o Ministério Público deve cruzar as declarações colhidas — ou a ausência delas — com as provas reunidas ao longo da investigação para, então, formalizar a denúncia.
Na primeira rodada de depoimentos, cinco investigados se recusaram a falar. A exceção foi Gerusa de Fátima Nogueira Lopes, chefe do setor de compras da prefeitura, que respondeu aos questionamentos e negou qualquer envolvimento no esquema.
No dia 7 de janeiro, foi a vez da vice-prefeita de Turilândia, Tânya Mendes, e de seu marido, Hyan Alfredo Mendonça Silva, que também exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio diante dos promotores. Já no dia 8 de janeiro, os 11 vereadores investigados foram ouvidos por meio de videoconferência, a partir da sede da Promotoria de Justiça de Santa Helena, município vizinho.
As oitivas foram conduzidas por integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e todos os parlamentares optaram por não prestar esclarecimentos.
Inicialmente, os interrogatórios estavam marcados para o dia 29 de dezembro, mas foram adiados após solicitação das defesas, que alegaram não ter tido acesso integral ao processo durante o período de recesso.
Esquema envolveria empresas fictícias e pagamentos a vereadores
Segundo o Ministério Público, gestores públicos, empresários, servidores municipais, vereadores e um ex-vereador teriam integrado uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos por meio de empresas de fachada.
Essas empresas, supostamente criadas pelo prefeito e aliados, participavam de licitações fraudulentas e emitiam notas fiscais por serviços que não eram executados.
Mesmo sem a prestação dos serviços, os pagamentos eram autorizados pela prefeitura. Em contrapartida, vereadores teriam recebido valores para não fiscalizar os contratos ou aprovar prestações de contas sem questionamentos.
As investigações indicam que os parlamentares investigados teriam recebido, juntos, cerca de R$ 2,3 milhões. Entre os valores mais altos estão os repasses atribuídos a José Ribamar Sampaio (R$ 405 mil), Inailce Nogueira Lopes (R$ 368 mil) e Mizael Brito Soares (R$ 122 mil), todos filiados ao União Brasil.
Atualmente, a maioria dos investigados está presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Os vereadores e o presidente da Câmara Municipal de Turilândia, José Luís Araújo Diniz, cumprem prisão domiciliar, conforme decisão judicial. O Ministério Público segue analisando o conjunto de provas para definir os próximos passos do proces

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.




