IBGE revela que 1 em cada 8 adolescentes de 13 a 17 anos já sofreu abuso ou violência sexual no Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, 25, novos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) que expõem a gravidade da violência sexual entre adolescentes no país.

De acordo com o levantamento, 8,8% dos estudantes de 13 a 17 anos relatam já terem sido forçados a manter relações sexuais contra a própria vontade. Outros 18,5% afirmam ter passado por situações de abuso ou assédio sexual.

A pesquisa, realizada em 2024 em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, ouviu alunos das redes pública e privada de ensino em todo o país. Por ser baseada no relato direto dos adolescentes e realizada sob sigilo, o estudo amplia a compreensão do problema ao alcançar casos que não chegam aos registros oficiais.

Na comparação com a edição anterior, divulgada em 2019, os dados mostram crescimento. As situações de abuso, que incluem toques, manipulações, beijos forçados ou exposição do corpo sem consentimento, avançaram 3,9 pontos percentuais. Já os relatos de estudantes obrigados a manter relações sexuais tiveram aumento de 2,5 pontos.

As meninas seguem como as principais vítimas. Entre elas, 26% dizem já ter sofrido algum tipo de abuso, mais que o dobro do percentual entre os meninos, que é de 10%. Nos casos mais graves, o índice entre estudantes do sexo feminino chega a 11,7%, também acima da média geral.

Outro ponto que chama atenção é o perfil dos agressores. Em 26,6% das respostas, a violência parte de alguém da própria família, o que evidencia a dificuldade de denúncia e o silêncio que ainda cerca esses casos. Pessoas desconhecidas aparecem em seguida, com 23,2%, enquanto parceiros afetivos, como namorados ou namoradas, representam 22,6% dos relatos.

A violência sexual está presente em todas as regiões do país, com maior incidência na Região Norte, onde 11,7% dos adolescentes relatam ter sido vítimas. Entre os estados, Amazonas, Amapá e Tocantins registram os maiores percentuais.

Embora os índices sejam ligeiramente mais altos entre jovens de 16 e 17 anos, o levantamento revela que parte expressiva das violências aconteceu antes dos 13 anos. Cerca de 1,1 milhão de estudantes que relataram esse tipo de situação eram mais novos quando os fatos aconteceram, o que mostra o atraso nas denúncias e a dificuldade de romper o silêncio.

No Maranhão, o IBGE não destacou, nesta divulgação, um percentual específico entre os estados com maiores índices de violência sexual, mas o estado integra o conjunto de unidades da federação onde os casos foram identificados, seguindo a tendência nacional de crescimento nos relatos.

Para abordar um tema sensível, o IBGE utilizou uma linguagem mais direta nas perguntas, priorizando descrições simples das situações vividas. A estratégia buscou facilitar a compreensão dos adolescentes e garantir respostas mais precisas, preservando o sigilo dos participantes.

Além da violência sexual, a pesquisa reúne informações sobre condições familiares, ambiente escolar, hábitos de saúde, alimentação, uso de álcool e drogas, bullying e saúde mental. Os dados são utilizados para orientar políticas públicas voltadas à proteção e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

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O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

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