Jogada de mestre de Lula com bets pode definir eleição

Ao proibir bets e anunciar alívio para famílias endividadas, Lula tenta ampliar vantagem contra Flávio na reta final do primeiro turno

Lula e Flávio Bolsonaro em sabatina no Jornal Nacional — Metrópoles

Lula estava nas cordas com Flávio Bolsonaro. Por mais surpreendente que pareça, chegou à reta final do primeiro turno com uma vantagem estreita sobre o adversário. A nove dias da votação, o presidente usou o poder que tem nas mãos para fazer uma jogada capaz de mudar a campanha, admitiram até bolsonaristas à coluna.

A medida provisória assinada nesta sexta-feira (25/9) proíbe as bets no país. Desde a publicação, elas não podem receber novos depósitos nem contratar publicidade ou patrocínios. Os apostadores poderão sacar o saldo que ainda têm nas plataformas até 5 de outubro. No dia seguinte, sites e aplicativos deverão sair do ar. Quem não sacar receberá o saldo por meio dos bancos entre 9 e 14 de outubro.

Lula anunciou ainda uma nova etapa do Desenrola, voltada à redução de dívidas das famílias, inclusive daquelas afetadas pelas apostas. É a combinação das duas medidas que interessa à campanha: fechar a porta para novas perdas e oferecer uma saída a quem já está endividado. O leilão previsto para viabilizar essa renegociação, porém, só deve ocorrer em novembro.

O presidente levou o combate às bets às ruas, como apoiadores vinham cobrando e a coluna adiantou. Agora transformou o discurso em medida provisória. Flávio reagiu e chamou Lula de “oportunista”, depois de passar os últimos dias chamando injustamente o presidente de “pai do Tigrinho” (esse tipo de cassino online foi incluído pela Câmara dos Deputados no projeto de regulamentação das bets).

As bets vinham causando danos à saúde das pessoas e às finanças das famílias. O governo precisava agir. Mas a proibição total, anunciada a nove dias da eleição, foi considerada radical. As empresas autorizadas a operar pagaram ao próprio governo outorgas de R$ 30 milhões, válidas por cinco anos, e firmaram contratos que agora terão de ser revistos, inclusive com clubes de futebol. A MP já está em vigor, mas ainda será examinada pelo Congresso. Até lá, o futuro dessas empresas permanece incerto.

Foi a jogada mais importante de Lula para tentar definir a eleição. Quando precisava sair das cordas, o presidente colocou Flávio na posição de responder a uma iniciativa sua. O efeito nas urnas dependerá de como os eleitores receberão a proibição e de quanto confiarão na promessa de alívio para as dívidas, segundo cientistas políticos ouvidos pela coluna. (Metrópoles)

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O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

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