Ossos encontrados em obra de ferrovia em Davinópolis são de dinossauro pescoçudo

Ossos descobertos há quase cinco anos durante a construção de uma ferrovia em Davinópolis foram identificados como pertencentes a uma espécie inédita de dinossauro no território brasileiro.

A descrição oficial foi publicada no último dia 12 na revista científica Journal of Systematic Paleontology.

Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o animal viveu há cerca de 120 milhões de anos, no período Cretáceo, e podia alcançar aproximadamente 20 metros de comprimento. Ele integra o grupo dos titanossauriformes, dinossauros saurópodes de pescoço longo e postura quadrúpede, linhagem que inclui também os titanossauros — alguns dos maiores animais terrestres já registrados.

O material fóssil foi encontrado em outubro de 2021 por trabalhadores da empresa responsável pela obra ferroviária, que inicialmente acreditaram se tratar de ossos de preguiças-gigantes. Após comunicação às autoridades competentes, uma equipe especializada foi acionada para avaliar o achado.

Entre os fósseis identificados estão ossos da perna — incluindo um fêmur com cerca de 1,5 metro de comprimento — além de partes do braço, da bacia, costelas e ossos do pé.

Pesquisadores constataram que os vestígios eram muito mais antigos do que imaginado inicialmente. A análise indicou que o material pertence à Formação Itapecuru, com idade estimada em cerca de 115 milhões de anos.

A retirada dos fósseis foi coordenada por pesquisadores ligados à Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com apoio de especialistas de outras instituições, entre elas a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

O trabalho de campo durou aproximadamente 15 dias e, segundo os envolvidos, não provocou atrasos no cronograma da ferrovia. Posteriormente, o material foi encaminhado ao laboratório de paleontologia da Unifesspa, onde passou por preparação e estudo detalhado.

Em julho de 2025, os fósseis retornaram ao Maranhão e hoje integram o acervo do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís, onde estão disponíveis para visitação pública.

De acordo com os autores do estudo, o Dasosaurus tocantinensis representa o primeiro titanossauriforme não titanossauro descrito no Brasil. A análise histológica dos ossos revelou padrões de remodelação e amadurecimento celular que indicam tratar-se de uma linhagem basal do grupo.

Comparações filogenéticas sugerem que essa linhagem pode ter se originado na Europa há cerca de 130 milhões de anos, possivelmente associada a espécies como Garumbatitan morellensis. A partir dali, teria ocorrido dispersão pelo norte da África até alcançar o Nordeste brasileiro.

Para os pesquisadores, o achado é relevante por ajudar a compreender a expansão geográfica desses grandes herbívoros em um período em que os continentes ainda estavam em processo de separação.

 

 

Maranhão amplia registro de dinossauros pescoçudos

Com a identificação do Dasosaurus, o Maranhão passa a contar com três espécies conhecidas de dinossauros saurópodes. Diferentemente de outros registros no estado — geralmente encontrados em falésias litorâneas ou margens de rios — este fóssil foi escavado em uma nova localidade geológica, o que amplia o potencial para futuras descobertas.

Pesquisadores destacam que o estado possui uma rica diversidade fóssil, embora muitos materiais sejam fragmentados e difíceis de localizar devido à densa cobertura vegetal da região, marcada por áreas de floresta, cerrado e mata dos cocais.

O nome Dasosaurus significa “réptil da floresta”, uma referência tanto à vegetação predominante quanto à possível origem etimológica do nome Maranhão, associada à ideia de “emaranhado”.

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O Editor

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.

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