Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou um plano de ataques contra instituições e autoridades em Brasília que tinha entre os principais alvos o Palácio do Planalto e o local previsto para o debate do segundo turno das eleições.

A ação policial foi deflagrada antes que os ataques fossem executados.
As articulações aconteciam em grupos fechados do Telegram, formados por homens que, segundo os investigadores, sequer mantinham contato presencial. O grupo principal reunia mais de 600 integrantes, enquanto um núcleo restrito, com 46 participantes, concentrava discussões consideradas mais graves pelas autoridades.
Nas conversas, os investigados tratavam da produção de explosivos, planejavam possíveis ataques e compartilhavam informações sobre prédios públicos de Brasília. Entre os materiais identificados estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, além de uma planta baixa do Palácio do Planalto.
A investigação também encontrou mensagens relacionadas ao debate eleitoral do segundo turno. Os integrantes discutiam a possibilidade de explodir o prédio onde os candidatos participariam do encontro.
O conteúdo analisado pelo Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública voltado à investigação de crimes cibernéticos, foi classificado como de alto grau de periculosidade. Além do planejamento de ações violentas, os grupos disseminavam material neonazista, misoginia, discursos de ódio e incentivo à prática de crimes.
Um dos grupos utilizava uma imagem de Adolf Hitler como foto de perfil. Segundo o Ministério da Justiça, os administradores também procuravam identificar integrantes dispostos a participar de ações que envolvessem violência física e mortes.
A ofensiva policial aconteceu na terça-feira, 4 de agosto, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Computadores, celulares e outros equipamentos foram apreendidos e serão analisados para identificar novas informações sobre a estrutura do grupo e an eventual participação de outras pessoas.
Os investigados são alvo de apurações por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. Para os responsáveis pela investigação, o conteúdo encontrado demonstrava que as conversas ultrapassavam a simples manifestação de ideias extremistas e avançavam para a preparação de possíveis atentados.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que os planos identificados não poderiam ser tratados como práticas inofensivas. A avaliação das autoridades é que havia risco concreto de que os integrantes tentassem colocar os ataques em prática.
O delegado responsável pela investigação afirmou que a polícia decidiu agir antes de esperar que os planos fossem executados. A apuração continua com a perícia dos materiais recolhidos durante a operação.

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.





