Reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, revelou áudios que expõem o funcionamento de um esquema de fraude em licitações na Prefeitura de Turilândia, no interior do Maranhão.

Nas gravações, analisadas pelo Ministério Público do Estado, a então pregoeira do município aparece cobrando presentes e até o medicamento Mounjaro do prefeito em troca da manipulação de processos licitatórios.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Gaeco, a pregoeira Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira admitiu, em mensagens enviadas ao então prefeito Paulo Curió, que 95% das licitações do município eram fraudadas. O promotor Fernando Berniz afirmou que a prática era generalizada e fazia parte de um sistema estruturado de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários.
Em um dos áudios divulgados, Clementina cobra diretamente a “recompensa” pela fraude em um certame, mencionando o pedido de um Mounjaro e de um presente de Natal. Na mesma mensagem, ela informa que a licitação de uma obra de estrada vicinal seria declarada “fracassada”, conforme previamente acordado, evidenciando o direcionamento do processo.
Segundo o Ministério Público, os empresários beneficiados pelo esquema recebiam até 18% do valor dos contratos, mesmo quando os serviços não eram executados. Desse total, 3% eram destinados ao ex-controlador-geral do município, Wandson Barros, apontado como operador financeiro e contador de empresas envolvidas. O restante dos recursos, ainda segundo os investigadores, retornava ao então prefeito.
Durante a operação policial, foram apreendidas grandes quantias de dinheiro em espécie e identificados bens de alto valor atribuídos ao casal Curió. Um dos imóveis, localizado em São Luís e avaliado em R$ 3,7 milhões, foi alvo de busca e apreensão durante o cumprimento dos mandados judiciais.
Para o Ministério Público, os áudios revelados pelo Fantástico reforçam a existência de um esquema organizado de desvio de recursos públicos, que teria causado um prejuízo estimado em R$ 56 milhões aos cofres de Turilândia.
Todos os investigados devem ser ouvidos ao longo dessa semana, após término do recesso no Judiciário maranhense. (O Informante)

Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.





