
Por Luiz Antonio Morais*
Peraí, e peixe fala? De acordo com pesquisadores, sim! Segundo Aaron Rice, pesquisador do Centro de Conservação Bioacústica no Laboratório Cornell de Ornitologia dos EUA, “os peixes fazem tudo. Eles respiram ar, voam, comem tudo e qualquer coisa – a essa altura, não me surpreenderia sobre os peixes e os sons que eles podem fazer”, afirmou o pesquisador.
Ok, na última sexta-feira 01 de maio, Karim Neto, da “velha guarda”, conforme prometido, me acordou as cinco da matina para acompanhar a nossa combinada aventura rumo a Viana, terra amada de Cleinaldo Castro Lopes, o Bil. Não, ele não tem nome de peixe! Mas, como um fervoroso vascaíno, com certeza seria chamado de “peixe” por Romário, ídolo da Cruz de Malta.
E lá fomos nós, junto com os mestres vascaínos, Oberdan Sá, César Choary e eu, sorridentes, sonolentos, mas felizes, na estrada para homenagear um cara que amava torcer pelo time do coração, viver, dançar e ajudar a todos que tiveram a oportunidade de se aproximar desse conterrâneo, eterno presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhados do Serviço Público Estadual, que nos deixou em dezembro do ano passado.
E, em Viana, neste feriado de primeiro de maio de 2026, o lago estava pra peixe. Era o dia do aniversário, sempre comemorado pelo homenageado, e de uma especial e emocionante despedida. Nunca se viu tanta chuva, em um ano atípico de inverno na Baixada Maranhense. Os mais velhos inclusive dizem que a primeira chuva de maio, Mês de Maria, é uma chuva abençoada.
O lago de Viana, com certeza se preparou com capricho, afinal, nessa data receberia os cinerários de um dos seus mais ilustres filhos.
“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”…, pregou o padre Gilberto Machado, ao abençoar as cinzas do nosso irmão, que em seguida seria espalhada nas águas do lago de Viana; uma história a ser lembrada e referenciada como uma data que ficará na memória dos vianenses. “Um homem íntegro, honesto, de coração generoso – uma verdadeira luz que passou por este mundo com a missão de ajudar pessoas e fazer o bem. Seu legado permanece vivo em cada gesto de bondade que deixou em nossas memórias”, citou a amiga Verediana Marreira.
Na presença de muitos familiares, amigos, colegas de trabalho, ao som de muitos hinos religiosos, hino do Vasco, MPB, da toada “Guerreiro Valente”, do Boi de Santa Fé, as cinzas deste guerreiro não menos valente, que não discutia e nem brigava, sempre fazendo “é tchun, é tchan. É tchun, é tchun, é tchan, eu vou até de manhã”, seguiu em três lanchinhas rumo ao último destino.
Na margem do Parque Dilú Melo, a bandinha “Rabo Seco Venenosa” entoava o inesquecível hino “Adeus Viana, vou partir, vou te deixar, comigo vai, a saudade de teu lugar”, enquanto sua querida e amada companheira, Francisca Chagas (Chaguinha), espalhava as cinzas de Bil nas agitadas águas do Maracu, acompanhadas de flores e balões brancos . Os peixes, com certeza felizes, ganharam mais uma permanente companhia e também fizeram festa no lago.
A chuva da tarde deu uma trégua; luzes aparecerem no horizonte do morro do Mocoroca, da Ilha de Sacoã, dos quilombos do São Cristóvão até o Pano Grosso. Afinal, até a natureza estava satisfeita e precisava referenciar a última despedida física deste amigo de fé, irmão camarada. Deus quis assim!
Mas, ele ficou! Seu legado e a alegria de viver ficaram! Ele permanece no meio de nós, familiares, amigos e uma legião de admiradores.
Vai querer, vai querer! Vai! Vai querer, vai querer! Vai! Para nós, mortais: NADA! Para BIL: TUDO!!!
Até breve, negão!
*Jornalista | Membro da Academia Vianense de Letras (AVL)
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Graduado em Jornalismo, Luiz Antonio Morais é pós-graduado em Design Gráfico e Publicitário. Mantém o blog desde 2008, um dos mais antigos do Estado.






2 Responses
Bil certamente continua vivo no corações ,nas histórias contadas, nos risos lembrados e em tudo de bom que construiu ao longo da vida.Grato e contemplado por toda a sensibilidade nessa linda e emocionante crônica.
Boa noite!
Siga em paz amigo bil “bosta” como se chamavam, vc e meu irmão João, João de Caminha, de dr. Walter e dodó.
Vcs deixaram muitos exemplos bonitos, de paz, humildade e amizade.
Muitas risadas, conversas e reuniões de amigos.
Adeus e dê um abraço no meu irmão.
Ângela Margherita